
então, não há como ignorar!
cada vez mais, crescem em números as pessoas que optam (e essa é claramente uma opção) por serem vegetarianos, ovo-lacto-vegetarianos ou veganos. sei um pouco de cada coisa, sobretudo por estar cercado de amigos e pessoas próximas que optaram por essa dieta. o vegetarianismo (odeio esse sulfixo), ou melhor, a propósta vegetariana é, como todo o movimento social, um conjunto de ações e ideias que visam a melhoria da sociedade humana e ecológica. é um movimento social por que sua propósta envolve a luta pelo direitos dos animais e por um ambiente ecológico e auto-sustentável. é também uma crítica e um boicote aos modelos de produção capitalistas industriais, sobretudo de cosméticos e comida.
basicamente, alguém pode se tornar vegetariano por três motivos, não excludentes :
1. busca de alimentação saudável
2. exercício espiritual
3. convicção militante
- no primeiro ponto, conheço diversas pessoas que optaram pela dieta vegetariana em busca de uma alimentação mais saudável, equilibrada e prazeirosa. essas pessoas não são necessariamente defensoras dos direitos dos animais e buscam apenas uma forma de manter-se saudáveis ou em forma, você deve conhecer muitos poucos vegetarianos gordos, não é?
- como exercício espiritual, o vegetarianismo é histórico. diversas culturas asiáticas são primordialmente vegetarianas, por entender que o espírito humano não precede aos dos demais seres vivos. dessa forma, uma pessoa nesse estágio talvez esteja buscando respostas ou conforto espiritual nessa prática. nada contra, somos um país laico e livre (ao menos na teoria).
- a convicção militante é difusa mas pode ser genéricamente agrupada entre as pessoas que são praticantes do vegetarianismo com mais radicalidade. nesse caso, a dieta é mais do que uma modificação de hábitos alimentares, é a luta por uma sociedade mais equilibrada, ecológica, que busca os direitos dos animais em todas as direções. querem o fim das experiências com animais, das grandes indústrias de alimentos de base animal e apontam para soluções auto-sustentáveis e a primeira vista, extremamente radicais.
diante disse algumas ponderações:
é preciso se ter cuidado com a dimensão da ética e de seus usos no discurso vegetariano. primeiramente por que os conceitos filosóficos da ética foram desenvolvidos para a sociedade humana. aplica-los a toda macro-existência pode significar reducionismo e deformação. sempre me preocupo quando escuto "as pessoas não o direto de comerem carne", calma lá! que direito é essa? é o direito normativo ou o direito no sentido ético? em ambos os casos existe nítidamente o direito a comer carne, ambos apontam para a precedência humana sobre os demais animais. ou seja, achar que isso é de alguma forma "errado", tudo bem, mas impor de forma autoritária uma forma de pensamento é inevitavelmente terrível.
costumo respeitar e admirar os vegetarianos, espero que meu (mau) hábito de gostar de carne não seja impecílio para nossos laços e sobretudo ao debate. não sou um defensor do maltrato aos animais, mas adimito que lutar pelo direitos deles não está na minha lista de prioridades. desculpem!
por fim, algumas dicas para você que tem amigo vegetariano:
- vegetarianos não comem gelatina, nem qualquer produto de origem animal, como caldo de carne, salsicha ou qualquer coisa com sabor relativo a carne.
- não comem frango nem peixe, eles também são animais... dã!!!
- não prepare alimentos com carne e sem carne com os mesmo utensílios, isso gera uma contaminação da carne nos demais alimentos.
- a cozinha vegetariana abusa dos diversos tempeiros e prima pela beleza dos pratos, saladas em quantidades exageradas!
- atenção que algumas balas e doces podem conter gelatina, os vegetarianos leem os rótulos!
- sobretudo, não insista! respeite! não vá convidar seu amigo pra um churrasco, ou mesmo uma feijoada, sem ao menos avisá-lo e preparar (corretamente) algo para ele
- por, fim, esteja pronto para um almoço na casa dele, não leve nada não vegetariano e não implique com a comida dele!
;)
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