O diretório central dos estudantes é uma entidade que representa (eca!) o interesse do corpo estudantil perante a universidade e a sociedade. aqui em Pelotas, o DCE é tradicionalmente uma base de apoiadores a candidatos e partidos em ascenção e já foi, em outros tempos, uma pedra no sapato dos reitores! hoje o DCE da UFPel conta com uma sede no centro histórico da cidade, vandalizada, suja, mal cuidada e sobretudo, ociosa! Os programas desenvolvidos pelo DCE se restringem aqueles em união e conformidade com os partidos ali infiltrados e inevitavelmente, com a poderosa reitoria de Cesar Borges.
Ontem e hoje ocorrem as eleições para mais um ano de gestão do DCE e nela se confrontam duas realidades: situação (chapa 1) e oposição (chapa 2). Trata-se de um momento único de construção política de partidos e de disputa por maior projeção na base. Eis o por quê de toda a discordia e a acirrada batalha que as chapas vem protagonizando.
Ontem não foi diferente! Perto das 22horas, prazo de encerramento das votações do dia, um ônibus fretado (sabe-se lá por quem...) oriundo da região metropolitana de Porto Alegre trouxe para o Instituto de Ciências Humanas, um grupo de mais de 40 pessoas regularmente matriculadas nos polos de educação a distância e que exigiam o seu direito ao voto!
Acontece que previamente, o conselho de DAs (Diretórios Acadêmicos) havia em assembléia registrado que esses mesmos polos não teriam direito ao voto, por falta de infra estrutura do próprio processo eleitoral e por que, no fim das contas, esses alunos não são atingidos ou integrados pelos alcances do DCE, que são extremamente precários.
Estava armada a confusão!!!
Diante do impasse, a Comissão de Eleição decidiu tomar os votos dos estudantes de polo, e separá-los em envelopes, a fim de decidir posteriormente da validade dos mesmos. E essa decisão não foi aceita pela pela chapa 1, que reinvindicava a colocação dos votos nas mesmas urnas, de forma igual aos estudantes de Pelotas, e se impondo a decisão do conselho de DAs. A chapa 2 reagiu com palavras de ordem, avisando que era tudo uma armação política da chapa 1 para fazerem desses estudantes de polo, mais uma parte do seu curral eleitoral.
Estava armada a confusão!!!
Uma breve briga iniciou depois que um integrante da chapa 1 cuspiu em um integrante da chapa 2, mas o conflito logo terminou, permanecendo apenas a tensão do momento. A polícia federal e a brigada militar foram chamadas, assim como o vice reitor (!!!), que prontamente atendeu ao pedido de um membro da chapa 1 e se fez presente com seu corpo de seguranças pessoais (!!!!)
Encerrados dentro do prédio do ICH o vice reitor e a COE decidiram (ou não) o futuro das eleições. Os votos do polos foram tomados em envelopes a serem posteriormente analisados, de sua validade... mas o que fica disto?
Fica a verdade escarrada de que esse processo é valioso a dois partidos políticos: PSB e PSOL. De um lado o PSB que vem fazendo uma ascendente carreira política na cidade, com a recente eleição de seu mais meteórico candidato, o Catarina, a quem muito interessa o controle de bases estudantis. De outro o frágil e resistente PSOL, sem fortes coligações políticas, mas ainda aberto ao diálogo com setores apartidários do movimento estudantil. A chapa 1 esbanjou dinheiro, distribuiu camisetas ao preço simbólico de R% 5 em boa malha verde (que não me deixa esquecer do positivismo e do integralismo no Brasil). A chapa 2 reuniu frágeis recursos e fez uma arte sobre uma malha branca sem graça, mais barata e nitidamente artesanal. A chapa 1, integra ainda outros partidos, um bom grupo do PT, sobretudo os mais institucionalistas, e planejam grandes intervenções e conchavos, alianças mirabolantes que envolvem a Reitoria e o poder público, é um baú de politicagem!!! A chapa 2 vive um momento de construção de movimento, apoiado fortemente no diálogo aberto e em ideias que eu vi e ouvi, bem mais plurais.
É quase certa a vitória da chapa 1 e a continuidade da política pelega do DCE, e é uma redendância imaginar que uma cidade como Pelotas, isso seria diferente!
Todos perdem!
2 comentários:
PSol aberto e plural? acorda meu filho!
O PSOl é a esquerda atrasada, sectária, a miopia ideológica deles não avalia conjuntura, não se sustenta na realidade.
Militância que se sustenta em uma práxis de manuais, interpretada por pequeno burgueses, não no vivido, no real, no proletariado.
É a esquerda revoltada "shopping center"...
Veremos como a chapa 2 defenderá cotas para negros dialogando abertamente com a atual massa discente, reacionária, branca e de classe média, veremos...
wow! se o anônimo acima prestar bem atenção verá que eu utilizei o termo "frágil e resistente PSOL, sem fortes coligações políticas" porque concordo que há radicalidade do comportamento do PSOL, concordo que ela existe e não a vejo como um mal político, mas como uma escolha desse grupo! No entanto, como eu disse, esse partido por estar justamente na condição de uma construção política, ainda se mostra "mas ainda aberto ao diálogo com setores apartidários do movimento estudantil". E sim, eles existem!
Mas enfim, cuidado um pouco com a interpretação textual, é uma importante capacidade para a vida em sociedade democrática, tá?
Postar um comentário